Fernanda Duarte dos Santos, 18, ou Fernanda Duarte, como declara seu nome artístico é bailarina clássica há dez. Mais de metade da sua vida passou sobre a ponta do pé. Nascida na maior comunidade do Rio de Janeiro, a Rocinha, onde mora até hoje com sua família, experimentou desde a infância uma oportunidade que mudou suas perspectivas de vida. Aos oito anos, foi convidada por uma colega a entrar para o projeto “Dançando Para Não Dançar”, um projeto patrocinado pela Petrobras Distribuidora que resgata a cidadania de meninas de comunidades carentes através da dança. “Todas as portas foram se abrindo para mim através do ‘Dançando’ “, declara.
Hoje, ela cursa com bolsa integral o segundo período da faculdade de dança da Univercidade e o curso de inglês Brasas. Também está prestes a se formar como bailarina profissional pela Escola Estadual de Dança Maria Olenewa, que voltou a pertencer ao Teatro Municipal do Rio de janeiro desde 1995 e é a única escola do Brasil que oferece um curso técnico-profissionalizante para bailarinos. A duração é de nove anos. Fernanda já está no oitavo ano de curso. A escola possibilita que ela faça uma prova para o corpo de baile do Teatro Municipal. Oportunidade esta, que a bailarina tem esperado ansiosamente. Afinal, há dez anos que o Teatro não realiza este tipo de testes. “Tem uma prova prevista para o fim deste ano ou início do ano que vem”, afirma.
Entre a rotina de ensaios - que dura mais de cinco horas diariamente - e estudos, ela ainda dá aulas para meninas, entre 6 e 12 anos, do projeto “Dançando Para Não Dançar” nas comunidades do Chapéu Mangueira e Pequena Cruzada. E já estagiou numa das maiores cias de dança do país, o Grupo Corpo. Coordena, ainda, o projeto “Cena em Cultura”, voltado para incentivar as crianças de comunidades a irem ao teatro. “Eu não tinha nenhuma expectativa a não ser sair da escola e brincar na rua. O balé me fez querer seguir um rumo. Tracei um objetivo de vida para o qual quis me esforçar”, diz.
Segundo ela, o balé lhe deu disciplina e ensinou sobre a convivência em grupo. “A dança me fez ser mais cidadã, mais humana. Aprendi a lidar com pessoas de personalidades diferentes para só depois subir no palco e dançar junto. Além de aprender a cuidar da minha roupa, do cabelo, da maquiagem”, enumera.
A dedicação é intensa, por isso tem que gostar muito do ofício. A rotina é árdua e dolorosa. “Se você visse meu pé, ia cair para trás. Ainda bem que é o pé”, brinca Fernanda. Ela destaca que o apoio da família é fundamental: “o balé é um meio difícil e tem também a questão do biotipo e da estética. Com a força da família fica mais fácil prosseguir diante das dificuldades”, avalia.
Fernanda dança de domingo a domingo. Os ensaios vão de segunda a sábado e aos domingos tem apresentações. “Quando você pára um dia, parece que parou um mês”, revela ela, que se prepara para um dos maiores desafios de sua vida: virar uma bailarina do Municipal. Para isso, Fernanda segue religiosamente sua rotina de treinos “para não perder o ritmo” e toma um cuidado reforçado com a alimentação para não engordar.
“Meus horários são todos ocupados. Tudo o que consegui foi através do ‘Dançando’. Se eu não tivesse entrado para o projeto, talvez não teria tido todas essas oportunidades”, finaliza

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